O cenário do estado do Ceará, Nordeste do Brasil, não era animador no início dos anos 90. Ao lado dos amplamente conhecidos problemas sócio-econômicos, ameaças ao meio ambiente como a desertificação e poluição dos recursos hídricos começavam a alcançar índices preocupantes. Pior: havia uma carência de soluções adequadas para enfrentar esses desafios.
Em 1993, a Companhia Energética do Ceará (COELCE), em parceria com a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GTZ), lançou um pioneiro projeto de eletrificação de comunidades rurais com o uso de energia solar. Durante três anos, 1.500 famílias de 15 comunidades foram beneficiadas, em uma iniciativa que reuniu especialistas das áreas técnica e social.
Da união desses dois grupos de conhecimentos, sócio-ambiental e tecnológico, surgiu a idéia de que iniciativas assim poderiam fazer a diferença. O pensamento levou à fundação, em 26 de dezembro de 1995, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis. Além do caráter multidisciplinar, o IDER também se destacou desde seu surgimento pela formação internacional da sua diretoria e corpo técnico.
Em poucos meses, o IDER já iniciava programas de sucesso com instituições brasileiros e do exterior, como BNB, GTZ, Celpe, Celba, prefeituras municipais, Governo do Estado do Ceará, Ministério da Ciência e da Tecnologia, Instituto Winrock, Carl Duisberg Gesellschoaff e AT&C, dentre outros. Além da eletrificação rural, as ações envolviam treinamento de técnicos e consultorias para implantação de projetos de energias renováveis.
No ano 2000, a Authentic Adventure, da empresa francesa Elf, selecionou o IDER para um projeto de eletrificação de uma escola rural em Viçosa do Ceará, beneficiando 42 famílias. Os resultados positivos foram elogiados por um júri internacional, e uma segunda etapa beneficiou mais duas escolas do sertão cearense.
Em 2003, um outro projeto marcou a história do IDER. Um curso de capacitação em manutenção de sistemas de energia solar foi oferecido para índios em plena floresta amazônica. Eles aprenderam a fazer reparos nos equipamentos, evitando longas viagens de técnicos especializados. O projeto contou com a parceria da BP Solar, Comissão Pró-Yanomami e USAID Brasil.
A cooperação com a USAID é um capítulo à parte na história do IDER, envolvendo programas que possibilitaram o desenvolvimento e aplicação de diversas tecnologias apropriadas de energias renováveis, além da promoção de políticas públicas e capacitação de pessoas. O Instituto esteve à frente de ações de um consórcio de ONG's que atuou em praticamente todo o Norte e Nordeste do país.
Outro destaque foi uma experiência de sucesso na capacitação de jovens de baixa renda para o mercado de trabalho. O Curso de Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável, realizado com apoio do CEFET/CE, CEFET/RN, Wobben e USAID, mudou a vida de 225 jovens das periferias de Fortaleza e Natal. Sessenta por cento deles conseguiu um emprego e um quarto continuou os estudos em instituições de nível superior.
Na segunda metade dessa década, ganhou importância para o IDER o projeto de disseminação de fogões ecoeficientes, um modelo aprimorado dos tradicionais fogões a lenha que tem as vantagens de livras as famílias da fumaça dentro de casa e reduz o consumo de lenha. Com o apoio de organizações internacionais e do Governo do Estado do Ceará, só com essa iniciativa o IDER vai beneficiar mais de 22 mil famílias.
Hoje, atento às novas preocupações mundiais sobre o meio ambiente, em especial por conta da ameaça do aquecimento global, e sintonizado com as novidades tecnológicas, o IDER está preparado para os desafios de construir um futuro com desenvolvimento sustentável.

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