Nas paradisíacas praias de Flecheiras e Guajirú, litoral oeste do Ceará, a pesca é a principal ocupação dos chefes de família. Mas as mulheres, como uma forma de ganhar um pouco de dinheiro, começaram a explorar uma outra atividade econômica que é incipiente no Brasil, mas faz parte de um mercado bilionário: a coleta de algas marinhas. Elas catavam as algas na areia ou arrancavam dos bancos naturais, deixavam secar ao sol e vendiam para empresas que repassam a produção para indústrias de cosméticos, alimentos e remédios.
O preço alcançado era de até R$ 0,50 por quilo. Poucos anos depois, a Associação dos Produtores de Algas de Flecheiras e Guajirú já conseguia alcançar o valor de R$ 5,00 por quilo. O aumento aconteceu com a melhoria da qualidade do produto alcançada com o projeto desenvolvido pelo IDER em parceria com o Instituto Terramar.
As algas, selecionadas, são agora cultivadas em alto-mar, deixando o banco natural preservado e acabando com problemas como a presença de pequenos animais, areia e mistura de espécies. A coleta é feita com o uso de jangadas, cada uma capaz de trazer até 200 kg de algas marinhas para a praia, onde está localizado o Centro de Processamento de Algas.
Ali, painéis solares bombeiam água doce do lençol freático para uma mesa onde as algas são lavadas. Em seguida, elas são levadas para a principal tecnologia social do projeto S.O.S Algas: o secador solar. Bastante simples, mas muito eficiente, o equipamento desidrata o material com controle de temperatura e sem risco de queimar. As onze famílias da associação cuidam de todas as etapas do processo, com homens e mulheres dividindo tarefas e os jovens aproveitando as algas para produzirem cosméticos e alimentos de fabricação própria.
Em 2007, o projeto foi um dos 12 finalistas do The World Challenge 2007, um prêmio concedido pela Fundação Shell, BBC e Newsweek para projetos de grande impacto ambiental e social.

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