Tribos indígenas da região amazônica dependem de fontes alternativas de energia para garantir o funcionamento de tecnologias simples, como os rádios. Longe das redes de distribuição de energia convencional, as pequenas aldeias passaram a receber painéis fotovoltaicos para aproveitamento da energia solar. O problema estava na manutenção: qualquer problema no sistema demandava a visita de um técnico que muitas vezes poderia estar a centenas de quilômetros de distância.
Frente a esse problema, em 2003 o IDER recebeu o convite da Comissão Pró-Yanomami, BP Solar e USAID Brasil para um desafio: capacitar os próprios índios na utilização e manutenção dos sistemas de energia solar. O convite partiu após os anos de experiência do IDER na capacitação de comunidades rurais nordestinas que enfrentavam o mesmo desafio, mas com a dificuldade de agora superar as barreiras da língua e de uma cultura bem diferente.
O primeiro passo foi elaborar uma cartilha na língua yanomami, em papel à prova d’água e com explicações simples e relacionadas com a realidade indígena. Depois, foram reunidas duplas de jovens das aldeias Demini, Toototobi, Palawau, Surucucu, Homoxi, Papiu, Hakama e Okomo, todas no estado de Roraima, para um curso que envolveu aulas teóricas e práticas.
As aulas duraram quatro dias e teve excelente aproveitamento, com a surpresa de que os jovens yanomamis, acostumados ao artesanato e diversas outras habilidades manuais, tiveram grande facilidade em mexer com fios, ferramentas e botões. Acompanhado por antropólogos, o projeto do IDER também teve o cuidado de reunir a tecnologia com total respeito à cultura dos índios.

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