Unir melhorias diretas para população rural carente e promover a preservação florestal, contribuindo para evitar o aquecimento global. São estes os dois principais benefícios do projeto de disseminação de fogões ecológicos.
Simples, mas de resultados relevantes, estes equipamentos tem como vantagem promover o uso racional da biomassa. Com 100 unidades, o objetivo do projeto é demonstrar sua importância e incentivar futuros planos de disseminação em larga escala.
Queimando-se menos lenha, promove-se a preservação florestal da caatinga, prevenindo-se a desertificação do semi-árido. Este problema ambiental está pondo em risco uma rica biodiversidade, além de aprofundar problemas já presentes, como a pouca fertilidade e umidade do solo, pragas e escassez de água. No Nordeste, é estimado em 6 mil toneladas o consumo diário de lenha. A adoção de fogões ecológicos pode reduzir este número em até 40%.
Ao mesmo tempo, uma queima mais eficiente da lenha elimina um sério problema: a poluição intra-domiciliar, causadora de doenças como bronquite, infecções pulmonares e asma.
Segundo dados do Grupo de Intermediação do Desenvolvimento Tecnológico (ITDG, em inglês), a fumaça intra-domiciliar mata mais gente do que a malária e quase tantas quanto à água contaminada e a falta de saneamento básico, uma a cada 20 segundos.
Ações
Uma equipe multidisciplinar formada por técnicos das áreas de engenharia, meio ambiente, saúde e ciências sociais, inicialmente faz um diagnóstico das comunidades onde a degradação ambiental e os problemas de saúde são mais graves. Nesses locais, os moradores são apresentados ao projeto e ajudam na seleção das famílias a serem beneficiadas.
Trabalhadores do local são convidados para as etapas de construção, gerando emprego e renda. As atividades de sensibilização continuam com o uso de cartilhas informativas, reuniões comunitárias e acompanhamento do uso dos novos fogões. Também é feita a mensuração dos impactos dos indicadores de saúde.
Em paralelo e após a implantação dos fogões ecológicos, é iniciada uma série de atividades participativas de preservação ambiental, que podem envolver o plantio de mudas, limpeza de determinadas áreas e adoção de hábitos ecologicamente mais indicados. Os impactos alcançados são verificados nos meses posteriores.
No âmbito dos programas Energia Renovável e Desenvolvimento e GVEP, o IDER prevê a implantação de 100 unidades-piloto até agosto de 2007. Estão sendo beneficiadas comunidades de serra, sertão e litorâneas dos municípios de Itapipoca, Pentecostes e Trairi, todos na região oeste do Ceará.
Parcerias
Com o apoio do GVEP e do Programa E&D, o IDER realizou a adaptação de projetos de fogões ecológicos já usados em outros países para a realidade do semi-árido brasileiro.
Associado da Partnership for Clean Indoor Air (PCIA), rede internacional de instituições que trabalham com fogões ecológicos, o IDER mantêm-se atualizado das novas possibilidades técnicas. Também é fundamental a colaboração das prefeituras municipais das localidades beneficiadas.

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