Oito filhos, grande distância até a cidade mais próxima e luz apenas de velas e lamparinas. A vida de Mariana Martins, hoje com 44 anos, não apresentava muita esperança. "Não foi nada fácil o que eu passava", diz. Ela, seu marido e os filhos mais velhos dedicavam grande parte do dia para o plantio na terra onde estão assentados, na comunidade de Barra do Córrego, no município de Itapipoca (132 km de Fortaleza).
O esforço, no entanto, não era suficiente. "As minhas mãos ficavam calejadas e não produziam muito". O terreno semi-árido, sem qualquer assistência ou cuidado especial, permitia apenas o cultivo de coentro e cebolinha. A irrigação, fundamental para a agricultura nessa região, era feita rusticamente: Dona Mariana e seus familiares caminhavam até o riacho nas proximidades e traziam água em baldes.
A qualidade de vida das 11 famílias da Barra do Córrego começou a mudar quando, em 2003, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (IDER), em parceria com a USAID, implementou um projeto pioneiro naquela localidade. O forte sol passou a ser aproveitado por painéis solares cuja energia elétrica abastece domicílios e diversos equipamentos para o uso produtivo.
O sistema de irrigação permitiu que Dona Mariana e sua família conseguissem tirar da terra uma quantidade de alimentos que ela disse nem imaginar. Cheiro-verde, tomate, beterraba, cenoura, abóbora, maracujá, goiaba, feijão, milho, berinjela, pimenta, couve e alface são alguns dos produtos que agora a comunidade de Barra do Córrego produz. Para Mariana, alívio também à mesa. "Hoje eu dou aos meus filhos uma alimentação muito boa. Nós nos sentimos muito melhor."
O projeto do IDER/USAID também uniu os moradores para a melhoria da qualidade de vida de todos. Juntos, membros de diversas famílias plantam em terras coletivas e foram capacitados para realizarem o gerenciamento do sistema. A venda dos produtos também é decorrente do esforço em conjunto da própria comunidade, seus produtos são expostos e vendidos em feiras e também negociados com comerciantes da área urbana.. O resultado direto tem sido o crescimento da renda dos moradores da Barra do Córrego. "Antes, eu pegava tudo o que produzia e vendia para comprar comida. Agora minha família come muito do que nós mesmos plantamos, e ainda sobra para vender".
Em conjunto com a instalação da luz elétrica em sua casa, Dona Mariana pode agora, à noite, usufruir da sua principal aquisição nos últimos anos: um aparelho de televisão. "É muito bom ver o jornal para saber o que está acontecendo no mundo! E é muito importante eu saber das coisas, para poder explicar tudo para os meus filhos", conta.

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