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A esperança que vem do mar

a esperanca vem do mar

Marta e seus filhos com uma maquete do secador solar que ajudou tanto suas vidas.

a mal tem tempo para conversar. Muitas encomendas estão feitas e Marta trabalha muito para não decepcionar os clientes. No fogão, panquecas e pizzas. Sobre a mesa da sala, uma grande variedade de cosméticos, enfeites e temperos; todo o material tendo como matéria-prima principal as algas marinhas que hoje são consideradas a principal riqueza para as comunidades de Fleixeiras e Guajirú, no litoral cearense.

Mas nem sempre foi assim. “Mudou tanta coisa, tanta descoberta. Hoje é uma felicidade”, conta. Há 10 anos, Marta Viana precisava respirar fundo para complementar a escassa renda do marido, pescador: ela e outras mulheres se aventuravam na coleta das algas que crescem em bancos submarinos. "A gente mergulhava nós mesmas. Só que não havia nenhuma preocupação com nada. Não nos importávamos com a qualidade, segurança, nem com a questão ambiental". Os principais compradores, a indústria de cosméticos, pagavam R$ 0,50 por cada quilograma de algas.

A vida de Marta e de toda a sua comunidade começou a mudar quando o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis, em parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, Inwent e Terramar, implementou um vitorioso projeto de cultivo e secagem de algas marinhas. O resultado mais visível foi a valorização do produto em 1000%, passando a ser comprado pela indústria por R$ 5,00. Isso se traduziu em paredes limpas na casa da família Viana, melhor comida na mesa, filhos na escola; enfim, um substancial ganho de qualidade de vida.

O segredo do sucesso foi a adoção do cultivo marinho das algas e sua desidratação sendo feita em um secador solar. Os aprofundados estudos com energia solar fotovoltáica permitiram ao IDER a adaptação de um aparelho simples, de fácil manutenção e com eficácia suficiente para garantir o desenvolvimento sustentável daquelas comunidades. O equipamento reduziu o tempo para secagem das algas e ajudou, e muito, no ganho de qualidade. A população também foi treinada, e trabalha organizadamente em um Centro de Processamento construído na beira do mar.

Em meio a tantas inovações, a família de Marta se uniu as outras e foi fundada a Associação dos Produtores de Algas de Fleixeiras e Guajirú. Os maridos, percebendo o sucesso das mulheres, se juntaram a elas e ajudam na coleta das algas. Com o material em maior e melhor qualidade em mãos, Marta pode agora se dedicar aos seus talentos de artesanato e culinária. E, satisfeita, já repassa a prática para seus sete filhos. "Eu senti a minha própria família se aperfeiçoando. É muito bom ver melhorias para todos nós".

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