De onde vem tanto lixo? | MARES LIMPOS #2

Esse é o lixão do Jardim Gramacho Ele foi o maior lixão a céu aberto da América Latina

Por mais de 30 anos os caminhões de lixo chegavam aqui e despejavam os resíduos vindos principalmente do Rio de Janeiro e de outras cidades da região Esse lixão foi fechado em 2012, mas estima-se que por lá chegaram a ser despejadas mais de 7 mil toneladas de lixo por dia que até hoje estão abandonadas sem o devido tratamento Mas ele não está sozinho, só na região metropolitana do Rio há mais de 100 lixões clandestinos A maioria próximos à Baía de Guanabara Grande parte desses resíduos de um jeito ou de outro acaba vazando aqui, para a Baía de Guanabara

Inclusive isso chega a preocupar com razão os atletas que participaram das provas aquáticas nas olimpíadas do Rio em 2016 Esse não é um problema só do Rio No mundo todo há exemplo de como o lixo mal descartado pode acabar se tornando um problema não só ambiental mas também social e de saúde pública Os plásticos mudaram a nossa vida Eles vieram para trazer comodidade e conforto

Em algumas aplicações eles são realmente muito bons como por exemplo para reduzir o peso dos automóveis, assim eles consomem menos combustível O problema são os descartáveis: Saquinhos, canudinhos, copinhos e embalagens Esses são feitos de um dos materiais mais duráveis que existem para ser usados por apenas alguns minutos 35% de todo o plástico produzido no mundo é utilizado por apenas uma vez em até 20 minutos e depois lixo ou, quem sabe, mar Todo ano são descartadas mais de 8 milhões de toneladas de plástico nos oceanos

Mas o que pode ser feito para reverter isso? Qual o papel da indústria do governo e de nós cidadãos e consumidores para reverter essa situação? Quando você vê todas essas histórias terríveis sobre plástico e pássaros morrendo e outras coisas, é fácil ficar sobrecarregado, porque você individualmente não tem o poder de mudar o sistema No entanto, se olharmos para os movimentos sociais e políticos desde o começo dos tempos, é a ação coletiva das pessoas solidárias que faz as coisas mudarem E então acho que temos que pensar menos individualmente e mais coletivamente Temos que reaprender nosso poder político Nossos músculos consumidores ficaram muito fortes

Nossos músculos políticos ficaram muito fracos Apesar de ter políticas, comitês de bacias hidrográficas, por que que o lixo continua indo pro mar? Talvez falte realmente uma mobilização da sociedade Talvez seja um ingrediente que esteja faltando no bolo Botar uma pressão qualificada e dar opções inclusive pro indivíduo O que eu posso fazer de diferente? Assim como as empresas vão ter que fazer eu vou ter que fazer diferente

Nós vemos os problemas de falta de reciclagem em todo o mundo hoje e aprendemos que um dos grandes problemas é que muitas embalagens hoje não são recicláveis ou difíceis de reciclar, porque são feitos com diferentes materiais ou combinações de materiais Então ao nos comprometermos a projetar 100% de nossas embalagens para serem recicláveis ou reutilizáveis, isso pode enviar um sinal para a indústria e também para os recicladores de que podemos começar a harmonizar projetos que façam as pessoas se comprometerem a construir a infraestrutura necessária para reciclar esses embalagens Até 2025, nós iremos colocar apenas embalagens 100% recicláveis no mercado E depois temos outro objetivo para 2030, que é a meta de ter 50% de material reciclado em todas as nossas embalagens até 2030 Nós definimos uma visão para nós, dentro da Procter & Gamble, de que queremos usar 100% de energia renovável em nossas fábricas E todos os materiais que usamos são provenientes de matérias-primas renováveis ou matéria-prima reciclada, assim nenhum lixo vai pro aterro sanitário vindo das nossas instalações, além de também permitir que os consumidores produzam lixo zero

Outra meta é que nos comprometemos a dobrar nosso uso de resina reciclada, não apenas qualquer resina reciclada, mas a resina reciclada pós-consumo E tendo isso hoje na nossa base de produção de 26 mil toneladas, pretendemos usar 52 mil toneladas por ano até 2020 Enquanto a indústria se prepara para tornar o plástico mais reciclável, ela também quer produzir mais e mais A expectativa é que nos próximos dez anos a produção cresça em 40% De todo o plástico produzido na história da humanidade metade foi feito só nos últimos 13 anos

Não podemos continuar produzindo, consumindo e descartando da forma como fazemos hoje ou em breve teremos mais plásticos do que peixes nos oceanos Enquanto cada um não assumir seu papel, não haverá mudança e continuaremos a assassinar diariamente milhares de seres e inclusive humanos, como a consequência desse lixo todo Evitar que os plásticos cheguem ao oceano exige conscientização pública por parte dos cidadãos do mundo Isso exige que os governos cheguem à uma legislação que envie sinais muito claros de que precisamos começar a reduzir o uso de plásticos, especificamente os plásticos que usamos apenas uma vez Coisas como canudos, material de embalagem para alimentos, copos de café

Nós vamos colocar uma taxa em alguns deles, nós vamos proibir alguns deles, quero dizer, estamos fazendo isso agora Nós estamos trabalhando em um novo decreto para que possamos influenciar o que entra em nosso sistema de resíduos e assim não termos que ficar tentando descobrir o que fazer com isso depois Muitos países já baniram Na África, por exemplo, o Quênia baniu completamente o plástico de uso único e está funcionando Na Europa, alguns países instituíram impostos sobre o plástico e as pessoas pararam de usá-los porque não gostam de pagar impostos Por um lado, empresas se comprometem a mudar os seus produtos para que estes possam ser reutilizáveis ou recicláveis

Mas para isso eles precisam voltar para a cadeia produtiva e hoje apenas alguns poucos países fazem reciclagem em larga escala Por outro lado, governos do mundo todo estão focados em regular cada vez mais o plástico e até banir o seu uso em alguns casos, mas poucos se comprometem a fazer grandes investimentos de infraestrutura Na verdade os dois lados precisam trabalhar juntos e somos nós, cidadãos e consumidores, quem temos que garantir isso A maioria dos plásticos que acabam no meio ambiente hoje vêm de áreas que não têm gerenciamento de resíduos ou praticam um gerenciamento de resíduos muito ruim Então, projetar plásticos para serem recicláveis é apenas um pequeno passo

Não só trazer os governos e a sociedade civil juntos, mas também trazê-los juntos com os negócios Porque vai levar os três de nós, agindo juntos, para restaurar a saúde do oceano Acredito que competir na prateleira é absolutamente necessário, mas não precisamos competir na infraestrutura, na reciclagem ou na coleta Nós queremos ser grandes e corajosos Queremos ser líderes na indústria, mas não podemos fazer isso sozinhos, por isso vamos trabalhar com parceiros externos, sejam eles ONGs, governos, grupos comunitários ou os clientes aos quais vendemos nossos produtos aos consumidores Aquilo que o indivíduo tem economicamente, que ele pode fazer individualmente fazer algo diferente eu acho que as empresas vão ter que fazer e as prefeituras vão ter que fazer isso também

Elas vão ter que entender que o lixo pode ser realmente um ativo no sentido de gerar recursos, gerar emprego, ganhar notoriedade por estar fazendo bem feito a gestão dos resíduos sólidos e com isso atrair, por exemplo, turistas de todos os tipos Eu acho que em países como o Brasil, as pessoas têm muito medo dos problemas ambientais Cada vez que se levam questões de gestão ambiental para o parlamento, para o governo federal ou para indústria, existe um medo de que isso resulte em mais problema, em diminuição da construção de riqueza do país E é ao contrário A gente precisa gerir bem os problemas ambientais para que o país gere mais riqueza, gere mais emprego através de um ambiente preservado que é a base dos nossos recursos econômicos

É esse convencimento, essa educação do tomador de decisão política e do industrial que ainda falta a gente fazer, mas eu estou confiante de que nós estamos no caminho certo para conseguir isso E não é porque a gente não tem um sistema de coleta seletiva e reciclagem em larga escala que a gente não vai fazer nada Só um por cento das sacolas de mercado são recicladas no Brasil Não tem jeito, a mudança tem que vir da gente Então se você quer se engajar na campanha Mares Limpos, o desafio das próximas duas semanas é dizer não a sacolinha de plástico

Usa uma eco bag, pega uma caixa de papelão, usa sua mochila O importante é a gente fazer alguma coisa Quero ver todo mundo fazendo desafio e postando com a #MaresLimpos

E se você está curtindo a série, dá um like, se inscreve no canal que está só começando No próximo episódio a gente vai conhecer o movimento que começou pequeno como uma iniciativa individual, ganhou o mundo e hoje se espalha por diversas cidades Nos vemos lá